O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou a professora, jornalista e ativista Anielle Franco para ser Ministra da pasta Igualdade Racial. Ela assumirá o cargo em 1 de janeiro de 2023.
A futura ministra é diretora do Instituto Marielle Franco, organização sem fins lucrativos criada pela família Marielle, com a missão de inspirar, conectar e potencializar mulheres negras, pessoas LGBTQIA+ e periféricas. Marielle Franco foi uma vereadora do Rio de Janeiro assassinada em março de 2018 no carro em que estava com seu motorista.
“Depois de refletir com minha família, companheiras de caminhada e movimentos, aceitei o desafio. Em nome da memória de minha irmã e das mais de 115 milhões de pessoas negras no Brasil, que são maioria da população e que precisam de um governo que se preocupe com os seus direitos de bem viver, de oportunidades, com segurança, comida, educação, emprego, cultura, dignidade”, afirmou Anielle em seu LinkedIn.
Segundo a nova ministra, esse não será um ministério isolado. “Vamos trabalhar com todos os ministérios para recuperar o retrocesso que foi feito nos últimos anos no Brasil e para avançar de uma forma urgente, necessária e inédita na garantia de direitos e dignidades para o nosso povo, para que possamos construir o Brasil do futuro”.
Anielle estará à frente da Seppir, órgão pleiteado e conquistado pelo movimento negro e construído pela gestão do presidente Lula. “O movimento negro brasileiro há séculos vem pautando reivindicações e as principais políticas públicas de reparação e justiça neste país. Minha relação com o movimento se estreitou nos últimos cinco anos, mas tenho certeza que é por meio da troca, diálogo, abertura e participação que vamos avançar na busca por igualdade e dignidade para pessoas negras, todas as etnias, nações e povos que habitam o nosso país.”
Instituto Marielle Franco
Com a nomeação de Anielle para o Ministério da Igualdade Racial, ela deixará de ocupar o cargo de Diretora Executiva do Instituto, que a partir de janeiro será gerido temporariamente pela equipe de gestão e apoiado pelo conselho e pela família até que seja feita a transição completa. Ainda não foi anunciado quem assumirá a cadeira de diretoria, mas Anielle reforçou em sua rede social que o Instituto seguirá firme defendendo a memória, lutando por justiça e multiplicando o legado e sementes de Marielle.
O site do instituto já contabiliza 4 anos de luta por justiça no caso de Marielle. Entre as perguntas que ainda não foram respondidas estão: “Quem mandou matar Marielle?” e “Qual a motivação do mandante do crime?”.

