Sou lésbica assumida, tenho 25 anos e me chamo Helena. Apesar de viver muito bem com a minha sexualidade passei a me blindar sentimentalmente depois de viver uma relação tóxica de seis anos com uma mulher.
Eu não queria mais ter meu coração machucado e comecei a me prevenir de possíveis frustrações. Decidi me cuidar e aproveitar mais. Curti a vida como há muito não fazia. Encontros casuais e esporádicos com algumas mulheres, sempre de modo desapegado. Minha vida estava estável e sem desafetos. Eu estava bem. O tempo correu e seguiu na normalidade. Até que recebi uma mensagem, no Facebook, de uma mulher chamada Laura.
Laura era filha do prefeito da minha cidade. Puxou assunto sobre algo supérfluo e eu respondi, por educação. Sem eu perguntar, ela me disse que também tinha 25 anos e um namorado. Ela dizia não saber o que fazer, pois não gostava dele. Confesso que minha estranheza foi grande, pois ela me dizia detalhes de sua vida sem ao menos me conhecer intimamente. Mas eu não queria parar. Ela me fazia rir do jeito doido que tinha, mas também me fazia admirar sua ousadia.
Nos tornamos amigas virtuais. Os meses se passaram e nos tornamos confidentes. Embora eu seja uma pessoa fechada, com Laura sentia que podia ser eu mesma. Ela me deixava confortável, como se nos conhecêssemos a vida inteira. Sem dúvida alguma, Laura se tornava cada vez mais especial e começou a rondar meus pensamentos.
Ela sabia da minha ex e eu sabia que o namoro dela era apenas de fachada. Ela contou que o pai é muito rigoroso e vivia o status da família perfeita. Ironicamente, tudo ao redor ia na contramão de quem ela realmente era. E por mais que eu tivesse a sensação de que ela fosse lésbica não assumida, nunca a questionei.
Então, todos os dias, depois que eu chegava do trabalho, lá estava ela me esperando para compartilharmos novidades e acontecimentos do dia. Sempre seguíamos aquele “roteiro”. Até que, num domingo à noite, após o retorno de uma festa com o namorado e de ter bebido, ela me ligou. Ela estava inquieta. Depois de cinco meses, foi a primeira vez que percebi uma diferença em seu tom de voz. Perguntei se estava tudo bem e me disse que não. Dizia não suportar mais viver uma farsa e ter que esconder os sentimentos sobre quem ela realmente queria. E a chamada se encerrou.
O distanciamento e a difícil fase da negação
As palavras ecoavam em minha mente. Os dias passavam e Laura se negava a atender minhas ligações ou responder às mensagens. No fundo, eu já sabia o real significado de tudo aquilo, porém, eu tinha receio de perder o controle sobre os meus sentimentos.
Passaram-se duas semanas sem notícias da Laura e a saudade só aumentava. Percebi a falta de tê-la em minha vida e o quão especial era a nossa troca e confidência. A sua intensidade, o seu jeito de ser e a forma como me fazia feliz eram ímpares. Estar com ela me despertava um mundo de sentimentos desconhecidos. Era estranhamente bom.
Passados mais alguns dias, finalmente, recebi uma ligação. Sua voz aparentava segurança e seriedade. Disse precisar me encontrar pessoalmente, porque havia algo importante a dizer. E eu fui. Com atenção a escutei. Foi a confirmação do que eu já estava sentindo reciprocamente. E hesitou dizer antes por medo de que eu a rechaçasse e desse fim à nossa interação. No entanto, algo a fazia pensar que eu estava diferente, após o último contato.
Começamos a conversar sobre as nossas vidas, o passado, o que estava acontecendo entre nós e os planos para o futuro. Expusemos os nossos pensamentos em uma longa conversa. Declaramos os nossos sentimentos. Inevitavelmente barreiras vieram ao chão e confirmamos, juntas, o que nossos anseios e desejos clamavam.
Em um momento da nossa conversa nos olhamos e tomamos coragem. O primeiro beijo foi emocionante e também arrebatador. O nosso entrosamento e a nossa química foram perfeitos. Seguimos adiante e nem parecia a primeira vez dela com uma mulher. Foi natural e de uma intensidade que eu não sou capaz de descrever, apenas sentir.
Não houve sentimento de culpa, pelo contrário, a sensação era a de que estávamos com a pessoa amada, na hora e local predestinados. Laura diz ter impressão de que foi a primeira vez que se sentiu amando e se entregando verdadeiramente.
Aceitação da sexualidade
Laura está se aceitando aos poucos e respeito muito o tempo dela. Estamos conversando bastante e deixando o tempo nos encorajar para vivermos livremente o amor que nos uniu. Descobrimos o amor sincero dentro do sorriso, dos beijos e dos braços uma da outra.
Ela terminou o namoro. E estamos vivendo um dia de cada vez, aprendendo com as circunstâncias, fases e momentos. Ainda não estamos namorando, porque ela ainda está no processo de autoaceitação e tomando os devidos cuidados para que o pai não tome nenhuma atitude extremista.
O nosso desejo é conseguir levar esse sentimento adiante, pois é algo que impacta positivamente a nossa vida. E, quando ela concluir seu processo e sentir mais confiança, não somente assumiremos à família e sim a todos. Por enquanto, ninguém sabe.
Quero que com esse texto ela se sinta homenageada, porque se tornou uma das melhores pessoas em minha vida.

É uma linda história de encontro de amor de duas almas.
Quando estamos com alguém que amamos, é como fosse um reencontro, tudo acontece naturalmente.
Helena e Laura desejo felicidades infinitas para vocês!!
Boa tarde a todos (as).Faz tempo que não vejo o blog e hoje resolvi entrar e como sempre me encanto com as histórias.Essa história de amor também é muito linda. Torço por Vocês meninas .A felicidade está pra todos, desafios fazem parte do nosso cotidiano mas perseverem e sejam felizes.Ana Cristina, São Paulo/SP
Parabenizo pela iniciativa! É raro um amor reciproco! Muitas pessoas, em todos os tempos, ainda teimam o “caminho hetero”, até incluindo um combo: prole e expectativa de colegas como sócios em Escritório, por exemplo! Hoje, sonhei com ex colega de trabalho, onde nestes 27 anos, “separados” os caminhos, apenas uma vez o encontrei e estava um pouco diferente, no sentido de uma amizade amadurecida, comentou sobre ter sido pai novamente! Atualmente, somos coroas e, ao acordar por ser mistico pensei: primeiro sonho com ele e o ambiente era da época de trabalharmos juntos, em que passava pela sala dele a caminho da minha sala! Quem sabe a nossa “geriadolescencia” (50 aos 70 anos) possamos construir uma história juntos!
Geraldo, tudo bem? Para você se inspirar, vale assistir a série Grace and Frankie. Você já assistiu? Depois de anos trabalhando como sócios, dois homens na faixa dos 70 anos decidem se casar.
Apesar da segunda adolescência chegar ate aos 70 anos, que assim definiu um Geriatra no Globo Repórter, mas ainda levará 14 anos para chegarmos lá (70 anos)! Embora, a idade física se torna mero detalhe quando a mente se mantém jovem! Obrigado pela dica do filme!
Muito boa dica ! Essa série apresenta essa situação e ainda trabalha o empoderamento feminino.
Geraldo,boa noite!
Tudo pode acontecer sim, quando menos esperamos encontrarmos alguém que mexe tanto com a nossa vida e arriscamos tudo para viver esse sentimento.
Desejo que você realize seu sonho, pois nunca é tarde para viver um grande amor
Obrigado. O que me causou surpresa é de nunca haver sonhado com ele e, ainda mais se reportando aos anos que trabalhamos juntos! Mais também nos anos 80/90 não havia a liberalidade dos dias atuais! Ainda mais a cidade de origem dele que mesmo litorânea mas de cultura interiorana!
História bonita, mais nem todo mundo tem a mesma sorte,
O amor não é pra todos. Felicidades pras duas.
Geraldo,realmente durante as décadas de 80 e 90, o preconceito era ainda maior,atualmente avançamos muito, mas a LGBTTQIAPNfobia ainda continua.
Mas mudando de assunto, adorei o termo “geriadolescencia”. Quando ficamos mais velhos, muitas vezes conseguimos nos despir de visões antigas que nos aprisionavam, na nossa adolescência e ou primeira fase da vida adulta.
Mesmo que seja difícil vivenciar o que realmente desejamos, pois podemos não encontrar alguém para isso, aceitamos para nós mesmos,o que somos realmente.
Boa noite!
Que história essa.
Fazia muito tempo que não entrava aqui.
Puxa quanta coisa boa para ler. Fora essas histórias que tenho gosto muito.
Sempre me senti diferente.
E com quase 30 anos me descobri bi.
Atualmente estou com 47.
Em uma relação com um cara muito gente boa, abri pra ele sobre minha sexualidade. Super me aceitou.
Gostaria de conhecer mulheres para amizades, trocar ideias. Quem sabe não possamos viver uma história bem gostosa.
Busco mulheres de São Paulo.
Boa noite,Leka!
Venho parabenizar você, pois é muito difícil se abrir, ainda mais quando estamos num relacionamento.
Parabéns mulher corajosa!
A sua história me despertou para vários questionamentos sobre a bissexualidade dentro de um casamento.
Você escreveu que deseja conhecer mulheres de São Paulo, tenho uma dúvida: você tem preferência por mulheres casadas ou aceita trocar ideias e fazer amizades também com mulheres solteiras?
Desejo uma ótima noite pra ti!!