18 de abril de 2024

9 thoughts on “Transexualidade à margem

  1. Apesar de elas parecem felizes com a vida… eu acho muito triste uma pessoa ter que se sujeitar a essa ultima opção porque as pessoas não sabem lidar com a diversidade.. aqui no bairro onde eu moro tem duas transexuais que são empregadas domesticas…não quero dizer que seja mais digno longe de mim… mas eu fico orgulhosa de vê-las passar lá… me da um gostinho de alegria, de que uma pequena parcela quase que invisível ainda tem coração e capacidade pra enxergar além das aparências!

  2. Esse cenário não é tão incomum… e se replica não somente em SP, em todo país… Agora, discordo do discurso ” a sociedade impõe” é muito confortável buscar abrigo nessa frase quando são escolhas próprias que definem sua carreira, seus objetivos, suas prioridades. Pra muitos trabalhar é quase uma virtude e não o que deveria ser uma necessidade. Ok… “são vitimas” do formato e da decadência do nosso país…. tenho lá minhas duvidas, transsexuais existem em todo tipo de sociedade seja ela poderosa ou não. Eu sempre estudei em escola pública, já comprei livro usado pra estudar, ja peguei onibus pra trabalhar, ja levei marmita pra economizar… enfim. É sustentar a escolha que fez, caso contrário bora arregaçar as mangas e não desacreditar nunca!!!!

    1. Só acho que não dá pra comparar pobreza com transexualidade…

      A prostituição em si não é só para as mulheres CIS… aqui a história é sobre as Trans, uma condição bem mais marcante!
      É nitido que não há muitas trans no mercado de trabalho formal… E nada se compara ao preconceito… ele existe está ai na casa de todo mundo! Estar na prostituição não é questão de não correr atrás! É questão de sobrevivência…não é o caso de todas né…mas a maioria é!

      1. Concordo parcialmente… Em verdade não fiz o comparativo Renda X Transexualidade, até porque para umas das transexuais filha de políticos (citadas como exemplo) não parece que a insuficiência de renda é um problema para ela. inclusive a sua transexualidade nada impediria de exercer com plenitude sua formação acadêmica em Direito. Parece-me que a grande questão que cerca o transexualismo não está relacionado a oportunidade de emprego, ou a capacidade de gerar renda.. mas sim o quão aparentemente são abandonadas de afeto, de carinho e estima pela família e amigos.

  3. Sou trans e digo, maioria que se vê ai são travestis, a maioria das transexuais que conheço não buscam a prostituição. Seria um assunto para quase um post sobre o ponto de vista, então prefiro ser breve.

  4. Alice,

    Você tem razão.
    Aliás todos que comentaram tem razão em tudo.
    Tive o azar de não ser homossexual.
    Pensei que fosse possível uma realização transexual.
    A sociedade tem horror, pavor de pessoas que trocam seu sexo.
    No caso do transexualismo o problema não é a ignorância.
    É um total menosprezo, pavor, horror.
    Eu tinha 7 (sete) amigos de mais de 40 anos de amizade, cada um deles com até 2 (dois) Mestrados e até 2 (dois) Doutorados (alguns até com pós-Ph.D.).
    Tinha.
    Aliás, no imaginário de qualquer ser vivendi em nosso planeta a pessoa transexual é uma pessoa homossexual gay ou lésbica que depois de muito tempo resolveu fazer uma cirurgia para mudar de sexo.
    E é impossível que a pessoa que já tem a ideia acima pré-estabelecida (preconcebida) mude sua opinião.
    Moro em um prédio com 73 vizinhos.
    Antes, eu era consultada para vários assuntos administrativos, econômicos e de liderança. Até para assuntos políticos (pois trabalhava no Senado Federal).
    Hoje, ninguém fala comigo, só os coitados dos porteiros.
    As vizinhas até me cumprimentam, mas não conversam comigo (quanto mais me chamar para alguma outra coisa).
    Seus maridos só falam oi bem longe de mim (porque já souberam pelas esposas o que sou).
    É como se tivesse LEPRA (que me desculpem as pessoas que a tem, mas a analogia serve ao momento).
    Okay, é como se tivesse H1N1 e estivesse constantemente espirrando. E todos soubessem que tenho H1N1.
    Até uma de minhas sexólogas, professora de Medicina, com 3 Mestrados, sempre se manteve distante de mim e foi supergrosseira ao examinar-me após eu ter feito a mudança de sexo (ora, ela é professora de ginecologia).
    Depois que fiz a mudança de sexo, comecei a sentir uma aversão muito latente da maioria dos médicos e médicas em relação a mim.
    No Senado Federal, após muitas e reiteradas explicações a meu respeito, laudos que até grampeei em murais, mesmo sendo Virgem (não é o signo) desde que nasci, o Bullying começou, começou, começou, continuou, continuou e não parou até que me aposentei.
    Ser transexual é ser a ESCÓRIA de todos os seres vivos do planeta Terra, pois outros animais são mais bem tratados do que uma pessoa trans. Vide cachorros, gatos, golfinhos, baleias Jubarte (uau, elas tem uma proteção que invejo), tartarugas (proteção e projetos Tamar para elas) etc.
    Me lembro de viajar às vezes para Goiânia, de ônibus (muito melhor do que ir de carro, pois as ruas são totalmente sem lógica, sem nexo), e durante as 3h de ida e 3h de volta ficava chorando, olhando pela janela do ônibus e desejando ser aquela vaquinha pastando lá em cima do morro, querendo ser uma árvore e até uma pedra bem grande.
    Sim, desejaria ser qualquer coisa, menos eu mesma.
    Qualquer coisa era melhor, até não existir (tentei 4 suicídios e falhei, não sei o porquê até hoje – de ter falhado).
    Sabem o que é aguentar o menosprezo e o bullying das pessoas durante 7 (sete) anos?
    Sabem o que é não ter absolutamente ninguém?
    A família (pais advogados, irmão farmacêutico e bioquímicos, cunhada engenheira florestal) me odeia.
    Ninguém jamais liga (literalmente e figurativamente) para mim.
    O telefone só toca 3 vezes ao mês. É a LBV pedindo contribuição ou alguma creche.
    Oh, sim, mesmo sabendo a respeito da aversão, da irritação velada a meu respeito eu me sinto bem somente comigo mesma e contribuo com as igrejas e creches.
    Meu problema não é financeiro, como jamais foi desde que nasci.
    Sim, não tenho respeito pelo dinheiro nem pelo poder (ele é efêmero).
    Dinheiro nunca trouxe felicidade, pelo menos para mim.
    Só estou viva por aqui porque quero saber um pouco mais a respeito do Mundo antes de partir.
    Já li mais de 4 mil livros durante a minha vida. Ouvi mais de 5 mil CD’s e DVD’s…
    Quando me sentir possuidora de mais conhecimento, de mais certeza em relação às pessoas (normalmente egoístas e más; há pouquíssimas pessoas boas) e ao que virá no futuro (tenho as piores premissas a esse respeito), partirei.
    Ei, não tenho pena alguma de mim.
    Mereci o castigo de Deus? Sei lá.
    Mereci ter vivido 45 anos de idade tentando ser alguém que não era (tinha medo dos meus pais – eram brutos – e da sociedade que só me via como menino e homem) e sem saber se seria possível ser o que era, um dia?
    Não sei.
    Não ligo.
    Também quero dizer que as pessoas mais humildes de educação e cultura, as pessoas mais humildes financeiramente, também, não tem a AVERSÃO e o MENOSPREZO que as pessoas mais educadas e cultas em relação a mim, pelo menos.
    Ser transexual é a morte social.
    Aliás, duplamente no meu caso.
    Primeiro porque pertencia à classe A+ (“homem” rico financeiramente, educacionalmente e culturalmente).
    Depois eu comecei a usar roupas femininas, após meu diagnóstico de trans. em 2007, e aí caí vertiginosamente na pirâmide da sociedade patriarcal, como “mulher”.
    E aí minha situação, que já não era boa, aliás era ruim, se tornou péssima, ultrapéssima: mudei de sexo e passei a usar (na época) roupas femininas.
    Sim, passo por mulher para as pessoas que não me conhecem. Mas e daí?
    Não sou mulher porque geneticamente sou XY.
    Se quiserem ver algumas fotos minhas basta que digitem procurando alguém no Facebook:
    Gabriela Ribeiro+UnB (sou a mais velhinha que existir nas imagens).
    Mas acho que no Face só há uma Gabriela Ribeiro+UnB+Brasília.
    Não uso mais roupas femininas nem masculina.
    Só uso short, camisa pólo, tênis e boné todos os dias.
    Não saio à noite há 4 (sim, quatro) anos.
    Sair para quê? Para me sentar sozinha em um restaurante?
    Peço comida delivery para comer e ficar sozinha em casa. É mais saudável (mentalmente dizendo).
    Saio um dia e fico em casa dois dias.
    Saio somente para andar (corpo velho precisa de mais exercício e ginástica do que os corpos mais novos).
    Acho que já falei (escrevi) demais.
    Obrigada.

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