19 de setembro de 2026

7 thoughts on “Para uma lésbica também é difícil aceitar a bissexualidade

  1. Oi pessoal que bom este post,sou bi gosto de homens e mulheres.Tem homens que me atrai mas as mulheres tambem me atrai.Hoje estou sozinha mais apaixonada por minha melhor amiga,Ja falei para ela mas ela negou e disse que não quer viver nada com mulheres,doeu muito mmas ela tem medo dos amigos e a sociedade enfim,e dificil não e facil contar e lidar com esta situação.Vou continuar a procurar um grande amor para mim espero naão demorar a encontrar pois estou solitaria e cheia de amor pra dar.bjs a todas

  2. Quero me colocar dizendo que, pessoalmente, tenho muitas dificuldades com todos esses rótulos e definições. Percebo que visam, num primeiro instante, facilitar a comunicação e propiciar o entendimento, entretanto, é desconfortável descobrir-se enquadrada num conceito e sentir que este, ora lhe aperta ou ora lhe excede, e que, raramente, lhe cairá com exatidão em algum momento, não sendo em nada diferente de todos os outros.
    Invariavelmente, terminamos por ficar colocando as pessoas nas poucas fôrmas de que dispomos.
    Nesse viés, eu poderia dizer que sou bissexual, afinal, ao longo de quase quatro décadas de vida, já estive interessada sexo-afetivamente e de forma satisfatória em homens e em mulheres.
    Agora, estou apaixonada por uma mulher. Muito apaixonada por ela, e isso já tem uns bons anos. Antes dela, porém, estive casada por quase dez anos com o primeiro amor de minha vida. O primeiro amor, o primeiro sexo, e todas as outras coisas primeiras que um amor de adolescência possibilita: o primeiro baseado, o primeiro (e único!) aborto, a primeira traição, a primeira grande dor…
    Entre as brigas que a convivência excessiva e a falta de maturidade geram, houve outros homens e…. uma mulher!
    Ainda estávamos na faculdade e aquela “sapata” me encarava incisivamente em todas as aulas de cálculo do semestre. Acabou me cantando e me encantou. Registre-se que eu nunca tive problemas com quaisquer tipos de sexualidade. Meus pais eram intelectuais e ateus convictos e, como existiam homossexuais na família e, muito próximos (meu tio, irmão de meu pai, assumido, casado e com filhos; minha irmã mais velha teve sua fase lésbica de anos até se casar com seu, hoje, marido e ter seus três filhos), não era algo absolutamente fora de questão viver uma relação com uma mulher. Ela me abordou várias vezes porque, segundo soube depois, achou-me muito tranquila e disponível em relação ao assunto. Então, num período em eu e o Zé estávamos meio distanciados, cedi à possibilidade de um relacionamento com uma mulher. Ela era linda, linda. Usava roupas muito masculinas que escondiam um corpo extremamente feminino e belo. Quando eu lhe perguntava por que não deixava mais a mostra toda aquela boa forma, ela respondia que as mulheres seduziam-se mais pelo olhar e pela palavra do que pelo sexy appeal. E, apesar de olhar aquele corpo de mulher e ficar extremamente excitada, acabava concordando com ela que, no primeiro momento, eu ficara muito mais interessada em sua atitude e no seu discurso do que no seu corpo que eu ainda não conhecia.
    Além da beleza, ela era muito boa de cama também. Era muito lúdica com o sexo. Sempre parecia estar divertindo-se muito com tudo o que pudesse estar acontecendo. Fazia amor comigo de forma tão versátil que eu sempre me apaixonava pela possibilidade de um dia estar transando com uma deliciosa fêmea e, noutro, estar sendo possuída por um macho super dotado. Com ela, aprendi a viver o relacionamento sexual como uma grande festa de múltiplas nuances.
    Contudo, eu ainda era mesmo apaixonada pelo Zé, e a gente sempre voltava, cheios de saudades e mais apaixonados ainda.
    Quando estávamos terminando a graduação, veio a oferta de mestrado e em seguida o doutorado. Tudo no exterior. Então, fizemos o que ainda nos restava: casamos antes de ir. Muito estudo, muito trabalho e muitas atividades depois, concluímos nossos cursos e nosso planejamento e voltamos para o Brasil. E, também, depois de nove anos de casamento e quinze de relação, nos separamos. Estávamos apaixonados por outras pessoas e não nos prestávamos ao engano mútuo. Convém esclarecer, contudo, que nada foi tão simples assim. Houve muita dor e sofrimento antes que pudéssemos equacionar o relacionamento e concluirmos pelo divórcio. Nossa relação queria ser aberta mas não tinha alcançado a maturidade para isso, assim, cada vez que um estava envolvido com outra pessoa, o outro pirava de ciúmes. Até que veio uma jovem e pegou o Zé de um jeito que ele ficou no chão, de quatro. Na mesma época, eu também estava enlouquecida por um jovem orientando meu. Hoje, quando olho para o passado e fito esse período de minha vida, concluo que eu e o Zé tínhamos amor demais dentro da gente. Era o nosso momento, eram as nossas conquistas, e nós não cabíamos em tudo o que nos envolvia. Aí, a gente sempre terminava envolvendo outras pessoas também, e transformava tudo num grande inferno para todo mundo.
    Como não tivemos tempo nem o desejo de ter filhos, a separação em si foi mais tranquila do que o casamento.
    Hoje, eu estou enamorada de uma mulher que conheci pela internet e com quem gostaria de sossegar, criar gatos e cuidar de um jardim. Estamos juntas há quase três anos e estamos muito envolvidas. Já introduzimos homens na nossa relação. Primeiro, foi o primo querido dela, depois, eu aceitei um insistente jovem aluno, cheio de vigor físico mas, como direi: ainda de pouco conteúdo existencial.
    Se o parceiro é bom, o sexo tende a ser, no mínimo bom, também. Porém, o amor, uma vontade incessante de estar próximo, fazendo planos comuns; o desejo de viver tudo o que ainda vem e sempre junto; esse sentimento, é somente meu para ela e somente dela para mim. Qualquer pessoa, homem ou mulher (Ainda que não tenhamos introduzido mulher alguma nesse arranjo. É que as mulheres podem ser muito pudicas, às vezes.) que trazemos para nossa relação é apenas um coadjuvante nesse nosso arranjo afetivo. Seguimos loucas uma pela outra e enciumadas de qualquer manifestação de afeto extracurricular. Pela primeira vez na minha vida, sou fiel a alguém além de a mim mesma.
    Quando me perguntam se sou bissexual, eu sempre fico desconfortável porque estou tão apaixonada por ela que não consigo imaginar alguma forma de prazer e de vida que não a envolva absolutamente. Digo que ela me faz sentir muito lésbica. Entretanto, se, um dia, todo esse amor transcender, não quero pensar que estou fadada a me apaixonar novamente por um homem para não correr o risco de virar uma lésbica contumaz.
    Gosto de viver e ainda me assombro com todas as possibilidades…

  3. Lélis Maria

    Bemm é impossível ficar indiferente ao teu depoimento. Adorei a forma como te expressaste, a serenidade e a sinceridade. Depoimento de alguem completamente desprovido de complexos, muito bom 🙂

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