18 de abril de 2024

20 thoughts on “Para ser boa mãe, você é uma esposa frustrada?

  1. Oi, Amanda.

    Minha experiência não se relaciona às questões da sexualidade mas outras questões, principalmente o alcoolismo do ex-marido. Sofri muito lidando com a doença dele, sofri abusos psicológicos, enfim. No meio disso tudo engravidei, tive meu filho, e mais uma preocupação. Bom, pra encurtar a história, ainda tentei ficar com o ex por causa do meu garoto mas a coisa ficou tão insustentável, que um belo dia eu disse: já chega. Sabe porque? Porque a gente pensa que está favorecendo os filhos mas na verdade os conflitos entre os pais, velados ou não, de alguma maneira afetam os filhos. Afetou o meu. A minha situação foi extrema, mas mães que vivem em estado de extrema frustração estão sim transmitindo isso aos filhos, e inconscientemente estão gravando um modelo de submissão, de introspecção, de ocultação, nas cabecinhas dos nossos filhos. Quer saber? Separações podem ser dolorosas para os filhos mas com o tempo o exemplo das mães que resolveram “se resolver” acabam (pelo menos na maioria) por inspirar também o modo de pensar e de viver dos filhos. Acho muito mais benéfico a mensagem de que “poxa, filho, resolvi ir à luta e buscar a minha felicidade, e vc deve também levar isso pra sua vida”. Assim os filhos aprendem não só que as mães são seres sexuais sim, e que estão buscando se realizar nisso, mas também apreendem a ir em busca de suas realizações pessoais sem se submeterem, sem se anularem. E o mais importante: filho tem que saber que uma coisa é pai e mãe, como eles o amam por ser filho deles, e que esse amor não acaba com a relação dos pais. Outra coisa, bem diferente, é o homem e a mulher, ou qualquer relação conjugal (homem com homem, mulher com mulher, que também constituíram famílias com filhos). Filhos tem que aprender que mesmo separados, seus pais continuam sendo … seus pais. E acreditem, posso dizer por experiência própria: não é o fim do mundo. A vida é muito dinâmica e regenerativa.

    Sem essa de “ruim com ele, pior sem ele” (ou ela). Sei que é difícil, mas temos que lutar para não sucumbir a esse tipo de pensamento opressor.

    Amanda, adorei o post. Vou procurar o livro que vc mencionou.

    Abraços apertados em todos.

    1. Nanda, nossa, que depoimento! Obrigada por compartilhar. Muito, mas muito rico mesmo. Concordo totalmente com você sobre a mensagem que as mães devem deixar para os seus filhos: “resolvi ir à luta e buscar a felicidade”. Não tenho dúvidas de que você é uma mãe inspiradora.

      Sei que nem todas ainda conseguem fazer isso, mas acho que a sua história já mostra que é possível.
      E hoje, como os seus filhos lidam com tudo isso?
      Grande abraço e parabéns!

  2. Minha mãe nunca teve coragem de se separar do meu pai porque não queria que os filhos crescessem em uma família “desestruturada de pais separados”. Cresci em um ambiente disfuncional, instável, tenso, vivendo de aparências, com meus pais brigando o tempo todo… um inferno! Tenho convicção que esta é a pior opção para os filhos…

    1. Simone, verdade. Conheço muitas mães assim e vários filhos “frustrados” por terem vivido em lares disfuncionais. Eu compartilho da mesma opinião que você.

  3. Nossa Amandinha. Esse seu post foi um soco no estômago. Quando disse que você está se tornando uma escritora melhor a cada dia, me referia a isso…a você escrever e propor uma profunda reflexão sobre nós mesmos. Não vou nem comentar, apenas pensar sobre isso. Um beijo grande.

  4. Nos conhecemos no trabalho. Ela desde que começou a trabalhar na mesma empresa que eu me intrigava. Fiz, apesar de ser a casada da vez, o convite para sair mas ela não apareceu no encontro. A partir disso eu teria motivos para esquecer e não insisti. Mas estava apaixonada já é não podia deixar aquela moça partir sem levar adiante. Sempre tive minhas necessidades e desejos mas nunca expus ou permiti que alguém soubesse. Principalmente meu marido. Um homem rude, violento, com um currículo de situações negativas no relacionamento com minha família e até mesmo com a dele. Quanta vergonha, abusos e agressões já havia passado e ele jamais entenderia como normal minha condição de bissexual. Um homofóbico nato. Insisti em me aproximar da moça e em pouco tempo estávamos já muito apaixonadas. Não haveria volta. Eu havia descoberto o meu mundo. Ela me fez feliz como nunca antes eu havia sentido. E como consequência cada dia que passava eu me aproximava mais dela e me afastava talvez até inconscientemente dele. Já não tinha o mínimo prazer de estar com ele. Aumentou o desejo de estar o tempo todo com ela, vieram os planos e cada dia nosso era de descobertas, afinidades, sonhos e projetos que se entrelaçavam. Foi ficando insustentável a vida longe dela e continuar com ele. Eu não sabia pensar em outra coisa e me incomodava continuar e não dar fim no casamento, pensar nos dos filhos e fazer meu novo amor sofrer com minhas ausências necessárias por estar em um casamento. Ele começou a perceber minha mudança comportamental e logo vieram as cobranças. Saídas inesperadas, longo tempo ao telefone e dispersão em algumas tarefas comuns à esposa foram evidências que o levaram a me perguntar o que estava acontecendo. Eu fugi o quanto pude, o medo consumia a nós duas pois ela participava de todas as minhas angústias e sofriamos juntas tentando achar uma solução para que eu saísse daquele casamento sem maiores atropelos e que não fossemos vítimas de agressões por parte dele. Em todo caso a nossa certeza era de que não seria fácil. E tentava fazer de tudo para poupar meus filhos. Na adolescência não seria simples entenderem a mãe apaixonada por outra mulher. Até que um dia dominados pela tensão em dar e receber explicações não consegui mais fugir da situação e me vi obrigada a contar e ele tudo. Dos desejos, das frustrações sexuais, do novo caminho descoberto e da pessoa que agora tinha meu coração. Aquela que me encontrou perdida no caminho e me reconduziu ao amor. Eu não acreditava mais nesse casamento. A partir de então arrumei um inimigo que dizia me amar. Que ameaçava a mim e a ela todo tempo, provocava brigas e ataques de ciúme intermináveis, discussões e histeria na frente dos filhos que os assombravam e os faziam se aproximar mais de mim e se afastarem do pai. Ele fazia o que podia para que eu não saísse de casa, queria que eu abandonasse o emprego. A ela eu pedia paciência até encontrar o jeito de me livrar dele. Ela permaneceu ao meu lado. Passou constrangimentos diversos. E nunca desistiu. Acreditava em nosso amor e em nossa força para juntas acharmos a saída.
    Ele infernizava de muitos modos às duas. Tentava convencer os filhos que ela não tinha valor algum. Mas ele mesmo cavava sua sentença. Sem forças para continuar vivendo assim, desiludida do amor que ele a ferro e fogo queria me convencer, mas em atos destruía o efeito de suas palavras e que jamais supriria os desgastes de duas décadas de ilusão e sofrimentos, meus e de meus filhos, eu cansei das ameaças, dos abusos, da mudança mascarada que ele dizia fazer nas atitudes e sentimentos, do preconceito, da homofobia e do desejo de me anular, dei um basta. Depois de um ano ao lado dela eu estava pronta e fui em busca da minha felicidade. Moramos há cinco anos juntas no mais perfeito amor. Meus filhos a adoram. Ele sabia quem ele era. Sofreu? Sofreu. E difícil um homem aceitar perder a esposa para outra mulher. Hoje é um novo homem ao que se vê. Esta casado novamente e diz estar feliz. E eu acredito. Ao fim ele disse que eu iria me arrepender e que um dia iria querer voltar. Mas meu grito de independência trouxe vida nova a todos os envolvidos. Se houvesse insistido, hoje teria filhos doentes e quem sabe, frustrados. Se espelhava e acreditavam na mãe e toda situação gerada dentro da casa estava destruindo e desconstruindo aprendizagens e valores que, com tanto cuidado havia lhes implantado. É preciso ter coragem de ser feliz. Dar basta na opressão e na submissão doentia. Vale a pena acreditar no amor. Agradeço a ela que trouxe mais vida a minha vida. A ela que quero ao meu lado para todo o sempre. E a vocês deixo Guimarães Rosa :”A vida é assim: esquenta e esfria, aperta daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é CORAGEM.”
    Abraços a todos.

    1. Que linda história de superação SOU FELIZ!!!
      Fiquei profundamente tocada com suas palavras. Que sirva de exemplo para tod@s nós. Muitas vezes colocamos mil obstáculos para encarar a realidade e agir em nosso favor. Parabéns a vocês que souberam lutar juntas e não desistiram do amor. Isso é verdadeiramente “atitude”.

      Beijos a tod@s!

    2. Que depoimento… Me fez suspirar de tensão, emoção e felicidade no fim. Sem palavras… Desejo muitas felicidades e força para que esse amor seja sempre maior que qualquer fator. Parabéns “Sou Feliz”, sua história é inspiradora!

      Abraços para esse blog querido.
      Lady Red.

  5. Bem, só posso dizer que Simone e Sou Feliz mostraram bem o quanto é nocivo viver em um ambiente familiar conflituoso ou cheio de ressentimentos, frustrações, anulações. Mostraram também que lutar para mudar não é somente possível mas necessário . Muito bacana o depoimento de Sou Feliz. É isso aí, garota, tem que ter coragem mesmo. Parabéns. Que sirva de inspiração para tantos outros.
    E concordo com Érica, Amanda está escrevendo melhor a cada dia. Sempre nos trazendo algo para refletir.
    Beijos a todos.

  6. Que bonito o depoimento de “sou feliz”, desejo que vc agora com sua amada seja muito muito feliz e por muitos anos.Parabens por sua coragem em ir em busca de sua felicidade e liberdade.Amanda, este blog é ótimo.Gosto demais dele, pra mim não há blog ou site gay (em sua maioria umas besterias) que me dê tanta satisfação em ler os posts e comentários.Parabens!

  7. Meus parabéns a “Sou Feliz” por esse depoimento tão intenso e com um lindo desfecho. Desejo a vcs que a mesma coragem que a levaram a decisões importantes prevaleça e sempre as conduzam pelo melhor caminho!!!
    Muitas felicidades e que o amor se fortaleça cada vez mais.

    Abraços!!!

  8. Querid@as

    É realmente verdadeiro que manter um casamento em função dos filhos pode causar muitos transtornos a todos os envolvidos, principalmente à mulher. Eu demorei anos para tomar a decisão de me separar porque achava que os filhos precisavam crescer num “ambiente familiar” com mãe e pai presentes. Mas me enganei. Pois meus filhos cresceram vendo todo tipo de desavenças, um pai que mesmo presente estava sempre ausente, um esposo que não sabia respeitar e valorizar a mulher. Nesse caso, manter o casamento não ajudou em nada. Muitas vezes a mulher se submete a tudo que você, Amanda, expôs no texto acima imaginando estar fazendo a melhor escolha. E quando pensa em tomar uma atitude vem aquele medo imenso da mudança, do recomeço. Medo de tudo que vão pensar a respeito. De não dar conta do recado sozinha. Medo da solidão. Eis o maior dos medos. Já conversei com várias mulheres cujo casamento é um fracasso. E quando questiono por quê não resolvem a situação alegam o medo da solidão. E por causa desse medo vivem numa solidão disfarçada. Frustradas. Perdendo o precioso tempo que poderiam estar dedicando à realização de seus anseios. Eu venci esse medo. Parei de buscar justificativas. De dizer que não me separava por causa dos filhos, de pensar que não conseguiria cuidá-los e educá-los sozinha. Parei de olhar os obstáculos. Só então consegui. Hoje estou muito feliz. Sozinha, mas feliz.

    Abraços a tod@as

  9. Sou casada há 10, e tenho um filho de 9. Amo meu marido, é uma pessoa incrível; mas a poucos meses descobri que tenho interesse sexual por mulheres, e não consigo imaginar minha vida sem ele e nem sem me envolver com uma mulher. uma angustia enorme toma conta de mim, muito triste.

  10. Debora, sei que a situação cômoda de amor em família é um bem estar sensacional…mas nos seres humanos não fazermos o que nosso desejo necessita pode ao longo do tempo ser frustrante….é melhor se arrepender pelo que se fez do que pelo o que não de fez…e vc pelo relatos de outras mulheres aqui ja viu que vc pode ter uma experiências sem propósito sem consequências……eu apesar de homem e casado não tive a sorte que por ex teu marido esta tendo..pois esposa nem sonha em um relacionamento assim situação que de minha parte eu iria gostar. Portanto dê vazão a teus sonhos, nem que seja por um encontro..bjs Seja Feliz

  11. .Tenho dito que enquanto espécie a convenção casamento é de reprodução, findo essa fase, o ser humano vem buscando a fluidez, daí sexual! No Reino Animal denomina-se fase do “cio”. Numa ocasião uma vizinha criticando o cachorro de lambe-la no rosto, ai eu pensei quem tirou ele do habitat deles! Noutra ocasião uma colega comentou de dois cachorros em acasalamento e ai ela ponderou ser “normal” sem a cadela e eu disse que fora do cio não necessariamente a cadela seria “procurada”! E algo parecido aconteceu com casal jovem, vizinhos meus e que há 3 anos, não ouço cogitarem gravidez, mesmo nessa retomada de gestações frente a letalidade havida pela Covid-19! Quando ela percebeu ele absorto observando os mamilos meus marcando a camisa polo e se irritou, ainda pensei essa realidade de que casamento sem reprodução não se sustenta! Já as antigas gerações, especialmente mulheres, viveram e vivem o eterno luto! Meus irmãos casados com filhos criados e aposentados vivem como “irmãos” (os casais) em grupos da família (da Irmandade)!

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