Sou a Flávia* e desde que me entendo por gente tenho atração por mulheres. Também sentia atração por meninos, mas as mulheres mexiam mais comigo.
Aos 28 anos nunca namorei, mas fiquei com homens. Nunca fiz sexo com nenhum deles – atribuo isso a um abuso sexual que sofri na infância. E em relação às mulheres cresci reprimindo os sentimentos dentro de mim. Nunca aceitei e achava impossível me relacionar com uma mulher. O tempo foi passando e queria acabar com esses sentimentos.
Estudei muito psicologia e acabei relacionando o meu desejo por mulher ao fato de ter sofrido abuso sexual e por não ter tido amor de mãe na infância. De fato, eu procurava uma figura feminina que nunca tive. A partir disso me forcei a não sentir atrações – consegui, mas não completamente -, tentei colocar tudo para dentro do armário e joguei a chave fora.
Comecei a sentir mais atração por homens, de uma forma que eu não me lembrava de ter sentido antes. Então, quando eu pensei ter “ficado livre” do meu desejo por mulher, minha vida virou do avesso. Estava em um lugar e uma mulher passou a mão em minha cintura. Foi o suficiente para voltar tudo à tona.
Minha vida virou um inferno e desde esse dia venho tendo atrações impossíveis de controlar. Já aceitei a possibilidade de me relacionar com uma mulher. Vou a pé para o trabalho todos os dias e um dia uma mulher passou de moto e me encarou de uma maneira que me deixou desconcertada: sou muito tímida e fechada. A situação se repetiu algumas vezes. Ela me cumprimentava, mas não era recíproco, eu não conseguia corresponder a um simples aceno. Todas as vezes que ela passava por mim, eu baixava a cabeça. Comecei a gostar dela, não sei se por carência. Passaram-se alguns meses e eu não a vi mais. O sentimento passou.
Recentemente uma outra mulher de moto cruzou o meu caminho. Eu estava descendo a rua e me deparei com ela, olhando com um sorrisinho de lado. Fiquei pasma e a encarei. Ela continuou o trajeto e subiu a rua.

Passamos a nos cruzar de forma recorrente. Ela não podia me ver que abria um grande sorriso. E que sorriso lindo. Eu sentia a felicidade dela, mas não conseguia sorrir de volta. Ela é linda e eu fico muito constrangida. Não consigo sustentar o olhar e quando ela me olha, só consigo desviar. Da última vez, ela aparentou ficar furiosa e não olhou mais pra mim. Passava por mim e fingia que não me via.
Um dia criei coragem e a cumprimentei. Ela não reagiu. Alguns dias se passaram, ela sorriu pra mim, mas não consegui novamente retribuir. No dia seguinte a cumprimentei novamente e ela abriu aquele lindo sorriso. Estou apaixonada e perdida.
Ao contar a história para esse site, comentei que ela não tem nenhum estilo de lésbica. E então a equipe do site me respondeu: “Não existe jeito de lésbica. As mulheres mais femininas que você possa imaginar são lésbicas ou bissexuais”. Eu sinto que o sentimento dela é recíproco e ao mesmo tempo não tenho certeza. Sinto uma grande confusão dentro de mim. Faz alguns dias que não a vejo e venho sofrendo muito com isso.
Eu não a vejo mais, mas também não teria coragem nenhuma de me declarar. Penso várias vezes que estou fantasiando, ainda mais porque sinto que a mesma coisa acontece com outras mulheres. Elas me encaram demais – me olham mais que os homens e são todas lindas e femininas. Mas é nela que eu penso todos os dias. Não consigo esquecê-la e não sei o que fazer.
*Nome fictício a pedido da protagonista da história. Esse é um relato real enviando com exclusividade para o nosso site

Olá Flávia, tudo bem?
Me identifiquei muito com sua história, te entendo perfeitamente e tem dias que é bem difícil. Sou casada com um homem pq sempre me reprimi e me sentia muito só. Tem um ano que me apaixonei por uma amiga que casou com um homem recentemente. Disfarçar os sentimentos é a pior coisa, chega a doer, mas não consigo me abrir com ela com medo de perder a amizade. Se quiser conversar meu email é marilari1104@gmail.com
Tenho percebido que nessa fase pós Isolamento em que muitos casais “se estranharam” com home office juntos e vida pessoal, por quase dois anos, a paquera entre conhecidos ficou, atualmente, até ousada! Domingo passado até um cara que apenas conheço ao me ver a pé veio com carro na minha direção, sorridente, como se fosse me buscar, mas sem abrir a porta e pensativo. Ao lado estava uma mulher que ao me olhar, fiz jeito de ter “ficado para entender”! E sinto ele querendo “se chegar” mas ponderando se deveria. Estou permitindo esse tempo de reflexão dele, afinal relação para ocorrer, deve ser mutuamente!