A pansexualidade é provavelmente a identidade sexual mais “livre” da nossa comunidade LGBTQIAP+. Quem é pansexual não considera gênero (homem ou mulher) ou sexualidade. É muito comum ouvir pansexuais dizendo: “eu gosto de pessoas”. O termo “pan”, por exemplo, vem do grego pãn, pantós e significa “todo”, “tudo”, “o universo”.
Muitos se identificam como pansexuais: pessoas transgênero, cisgênero, genderqueer, genderfluído, entre outros. Algumas comunidades pansexuais têm usado o termo “corações, não partes” para refletir o fato de poderem se atrair por “qualquer pessoa”, independentemente dos corpos e genitálias.
“Eu acreditava que era bissexual, mas entendi que era pansexual depois que uma amiga se tornou um homem trans. Uma outra porta do meu desejo se abriu e ao pesquisar, entendi que eu era realmente pan. Isso tem sido muito importante, pois me considero uma pessoa livre para que seja possível construir uma relação de afeto, seja cis, trans ou não binário (pessoas que não se consideram exclusivamente homens ou mulheres)”, contou Leila ao BlogSouBi & Portal Diversidade.
Segundo Leila, o amor é uma construção diária entre pessoas que desejam viver juntas. “A pansexualidade realmente representa meus desejos e anseios”. Em 2021, a atriz Miley Cyrus se declarou pansexual em uma entrevista para a revista Paper. “Estou aberta a tudo que envolva consentimento, que não envolva um animal e desde que todos sejam maiores de idade. Qualquer coisa, que seja legal, está bom para mim. Concordo em experimentar com qualquer adulto, qualquer pessoa com mais de 18 anos que queira me amar. Não me identifico como menino ou menina e não preciso que meu parceiro se identifique como menino ou menina”, afirmou Miley.

Diferença entre bissexual e pansexual
Como Leila, muitas pessoas se identificam inicialmente como bissexuais, mas a diferença é que enquanto bissexuais consideram a binaridade, as pessoas pansexuais se atraem por todos os conceitos de gêneros, além de considerar aqueles que também não se identificam exclusivamente com nenhum gênero. Resumidamente, a bissexualidade é “binária” e a pansexualidade “não binária”.
“Eu tinha mil fantasias sobre ter uma relação afetiva com uma mulher, mas também tinha atração por homens. Depois amei conhecer mais o universo trans e a infinidade de identificações que hoje existem. Eu realmente me sinto muito mais aberta para amar em um espectro amplo”, contou Leila.
A descoberta de Leila
Conheci o BlogSoubi & Portal Diversidade faz cinco anos. Nas primeiras vezes, acabei morrendo de vergonha de alguém descobrir que eu acessava o site, mesmo sendo adulta. Não queria responder as possíveis perguntas da minha família, eles não entenderiam minha curiosidade, afinal, naquela época, namorava um homem.
Depois de algumas visitas, resolvi entrar no chat. No início, fiquei só “nas moitas”, observando as pessoas conversando. Depois comecei a interagir na sala pública do bate-papo. Entretanto, inicialmente, as pessoas queriam falar sobre sexo e não era o meu propósito.
Terminei meu namoro anos depois, por motivos referentes a outros assuntos, que não possuem nenhuma relação com a minha orientação sexual.
Durante a pandemia, trabalhando em regime home office, comecei a entrar no site todas as noites. Em uma delas, conheci uma pessoa no chat que deu dicas para que eu pudesse me desvencilhar das pessoas que falavam de sexo. Aos poucos, fui ganhando desenvoltura e saí totalmente “das moitas”.
Minha família ainda não sabe que sou pansexual. Para eles e muitas pessoas, somos promíscuos e indecisos, o que não é verdade. Quem sabe um dia, eu consiga me assumir para eles e para os meus amigos.

Amanda,boa noite!!
Amei a matéria!! É muito importante para as pessoas pansexuais terem suas histórias contadas e que todos possam saber as diferenças entre bissexualidade e a pansexualidade.
Viva as todas formas de amar!
Parabéns!!!
Presumo que muitas pessoas que não se sentem “enquadradas” no “check list” hetero sejam as que mais passam por patologias mentais! E até compreendo, porque num vídeo sobre signos e taro, a mulher que apresentava riu com velada ironia de que na previsão, disse que “receberia uma pessoa em casa e poderia ser até de prestação de serviço”! Depois que a Hebe popularizou o selinho, até visitas, se despedem nem sempre com beijo no rosto, mas selinho e as vezes, mais raro, com beijo, breve, mas lábios separados 🙂