
Desde 2023, o brasileiro Leonardo Hatanaka busca por justiça após ter sido demitido da Genzyme Argentina SA, uma subsidiária do Grupo Sanofi.
Leonardo foi demitido apenas 12 dias após informar ao empregador, em abril de 2023, que se tornaria pai por meio de barriga de aluguel. Seu filho, Matteo, nasceu em Buenos Aires em 5 de maio de 2023.
O caso foi reconhecido como uma situação de discriminação no trabalho por dois órgãos estatais argentinos. Em novembro de 2023, o Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI) concluiu que a demissão teve como base a orientação sexual e identidade de gênero. Uma segunda decisão, em 2024, da Direção Geral de Convivência na Diversidade, ligada ao governo da cidade de Buenos Aires, confirmou o ato como discriminação institucional.
Apesar dessas decisões, o Grupo Sanofi não reconheceu responsabilidade nem ofereceu qualquer compensação à família. Leonardo chegou a ser reintegrado por poucos dias no trabalho, mas a decisão foi anulada pela Câmara Nacional de Apelações do Trabalho.
Seus advogados recorreram ao Tribunal Superior de Justiça da Cidade de Buenos Aires, que aceitou o caso em 14 de maio de 2025, sinalizando que haverá uma análise de mérito.
É a primeira vez que uma demissão discriminatória envolvendo um pai LGBT+ chega à mais alta instância judicial da cidade.
“A Sanofi Brasil bloqueou os nossos usuários no Instagram. Nós não desistiremos. Queremos um mundo melhor para o Matteo. A sentença favorável poderá ajudar a comunidade LGBT+”, afirmou Leonardo a Voz da Diversidade.
Ele critica a empresa no Brasil, França e Argentina, que tem feito diversas ações para o Mês do Orgulho e na prática, segundo ele, não respeita e acolhe a comunidade.
“Nossas famílias LGBT+ existem. Estamos começando a ser visíveis e não queremos e nem podemos voltar ao armário por nossos filhos”, diz.
Leonardo ainda conta sobre a humilhação que sofreu ao ser demitido. A residência em que morava havia sido oferecida como benefício pela empresa. “O Estado argentino ao revogar a cautelar, nos deixou desamparados, na rua. Eles entraram na casa que tinham nos fornecido e levaram nossos pertences e do Matteo”.
O pai de Matteo ainda cita que toda essa situação feriu a Convenção Internacional da Criança. Ela protege as crianças contra qualquer forma de discriminação ou castigo baseada na condição, atividades, opiniões ou crenças de seus pais ou responsáveis. Isso significa que a criança não deve ser punida ou discriminada devido às escolhas ou características de sua família. “As famílias LGBT+ precisam saber disso para protegerem seus filhos”, conclui Leonardo.
