A ativista e feminista Míldima Ferreira Lima, 69 anos, viveu uma história marcada por perseguição e violência psicológica. Aos 15 anos, ela se envolveu com um rapaz de 18. O relacionamento terminou por conta do ciúme excessivo dele e, a partir daí, começou um longo período de perseguição.
Inconformado com o fim do namoro, o ex encontrou uma forma cruel de permanecer próximo: passou a se relacionar com a mãe de Míldima, então com 50 anos.
“Cheguei em casa e descobri que ele estava com a minha mãe. Foi traumático”, relembra. “O médico perguntou se eu queria ser internada em um sanatório, para que eu pudesse sair daquele ambiente e decidir o que fazer da minha vida e eu aceitei”, afirmou Míldima, em entrevista exclusiva para a Voz da Diversidade.
Ele chegou a morar com a mãe dela, mas em pouco tempo se separaram. O motivo? Ele queria casar com Míldima.
“Ele me perseguiu a vida inteira. No trabalho, na igreja, em diversos ambientes”, contou. “Hoje chamam isso de stalker. Na época, eu não sabia que era crime. Não era da forma que era hoje, que nós podemos denunciar”.
Míldima diz que a terapia a salvou. “A análise me mostrou que eu tinha como cuidar de mim. Ainda dói um pouco, mas não deixo mais me machucar”.
Esse homem morreu há dois anos e a mãe de Míldima morreu há 25 anos, aos 81 anos. “Minha mãe geralmente acordava dizendo que estava condenada, mas eu a perdoei. Consegui separar a mãe da mulher. Cuidei dela até o fim da vida. Ela morreu amparada”.
Míldima é ativista e feminista. Ela se tornou uma mestre Griô, uma guardiã de saberes – transmite suas histórias e as histórias do povo africano para as próximas gerações. Hoje Míldima dedica sua vida a apoiar mulheres que sofrem violência.
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